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15 de abril de 2015

 

Paleontólogos descobrem, em Portugal,
“super salamandra” do tempo dos dinossauros
Exposto ao público pela primeira vez no Museu da Lourinhã

 


Metoposaurus algarviensis

Metoposaurus algarvensis. Reconstituição por Joana Bruno

 

Uma nova espécie de anfíbio descoberta em Portugal que viveu durante a ascensão dos dinossauros foi um dos maiores predadores da Terra há cerca de 200 milhões de anos atrás, diz um novo estudo agora publicado. A equipa de paleontólogos identificaram uma nova espécie de anfíbios que recebe o nome dedicado à região, Metoposaurus algarvensis, depois de escavar os ossos em rochas de um antigo lago do tempo dos dinossauros, no concelho de Loulé, Algarve. Para o paleontólogo que participou na descoberta e estudo, Octávio Mateus "esta descoberta é um exemplo de um achado de uma época da qual conhecemos muito pouco em Portugal, o Triásico, há cerca de 200 milhões de anos, altura em que viveram alguns dos primeiros dinossauros". Além deste paleontólogo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do colaborador do Museu da Lourinhã, o estudo inclui ainda investigadores das Universidades de Edinburgo, Birmingham e Museu de História Natural de Paris.

As criaturas, assemelham-se a salamandras gigantes, algumas com 2 metros de comprimento, que viveram em lagos e rios durante o Período Triásico, de forma semelhante aos crocodilos de hoje, dizem os investigadores. Estes anfíbios primitivos que pareciam salamandras gigantes, eram, contudo, parentes distantes das verdadeiras salamandras de hoje. Os metopossauros faziam parte do grupo ancestral do qual anfíbios modernos - tais como sapos e salamandras - evoluíram, diz a equipa. “A riqueza do local era impressionante. A jazida tinha uma densidade de vários crânios por metros quadrado” diz o paleontólogo Octávio Mateus.

A descoberta revela que a distribuição geográfica deste grupo de animais era maior do que se pensava anteriormente. Restos fósseis deste tipo de animais foram encontrados em África, Europa e América do Norte mas as diferenças na estrutura do crânio e mandíbula dos fósseis encontrados em Portugal revelaram que eles pertenciam a uma nova espécie. Esta foi descoberta numa camada repleta de ossos onde dezenas de animais podem ter morrido quando o lago secou.
Apenas uma fração do local - cerca de 4 metros quadrados - foi escavado até agora, e a equipa irá prosseguir o trabalho para descobrir novos fósseis. A maioria deste tipo de grandes anfíbios foram exterminados durante uma extinção em massa que ocorreu há 201 milhões anos atrás, muito antes da morte dos dinossauros. Isto marcou o fim do Período Triásico, quando o supercontinente Pangea, que incluiu todos os continentes do mundo, se começou a dividir. O estudo, publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, foi financiado pela National Science Foundation, Fundação Alemã de Investigação, Jurassic Foundation, CNRS, Columbia University Climate Center e Chevron Student Initiative Fund. Apoio adicional foi fornecido pela Câmara Municipal de Loulé, Câmara Municipal de Silves e Junta de Freguesia de Salir no Algarve. A excavação decorreu com estudante de paleontologia da Universidade Nova de Lisboa sendo a preparação laboratorial dos fósseis feita no Museu da Lourinhã.
Dr Steve Brusatte, da Universidade de Edimburgo, o primeiro autor do estudo, disse: "Este novo anfíbio parece algo saído de um filme de monstros. Era tão comprido como um pequeno carro e tinha centenas de dentes afiados na sua grande cabeça chata, que se parece com uma tampa de sanita. Este era o tipo de predador feroz que os primeiros dinossauros tinham que enfrentar, muito antes dos dias de glória do T. rex e Brachiosaurus.”


Referência:
Brusatte, S, Butler, R, Mateus, O & Steyer, S. 2015. A new species of Metoposaurus from the Late Triassic of Portugal and comments on the systematics and biogeography of metoposaurid temnospondyls. Journal of Vertebrate Paleontology


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