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5 de dezembro de 2013

 

Nota de Imprensa

 

Nova espécie fóssil encontrada em Moçambique
revela novos dados sobre os antepassados dos mamíferos

 
<i>Niassondon mfumukasi</i>

Na província do Niassa em Moçambique, foi descoberta uma nova espécie e novo género de vertebrado fóssil, um antepassado remoto dos mamíferos.

Esta espécie agora extinta pertencia a um grupo de animais chamados sinapsídeos. Este grupo evolutivo inclui, para além de vários animais extintos, todos os mamíferos atuais e dominava os continentes no final do Pérmico (há 256Ma).

O fóssil agora publicado foi denominado Niassodon mfumukasi. O seu nome significa na língua local (Chiyao): a rainha do Lago Niassa. Constitui deste modo uma homenagem à sociedade matriarcal Yao, à Mulher moçambicana e à beleza do Lago Niassa.

Uma equipa de paleontólogos de várias instituições e nacionalidades, nomeadamente moçambicanas, portuguesas, estadunidenses e alemãs, descreveu a anatomia do Niassodon na revista PLoS ONE. O trabalho foi liderado por Rui Castanhinha (IGC e ML), Ricardo Araújo (SMU e ML) e Luís Costa Júnior (MNG) e enquadra-se no Projeto PalNiassa. Este projeto é um programa científico multidisciplinar, fruto de cooperação internacional, onde participam mais de duas dezenas de cientistas de três continentes, que tem por objetivos descobrir, estudar e preservar o património paleontológico moçambicano.

O trabalho agora publicado contém importantes implicações nos domínios da biologia evolutiva e da paleontologia de vertebrados. Utilizando técnicas de microtomografia computorizada por feixe de sincrotrão, foi possível compreender novos detalhes da anatomia dos sinapsídeos basais, bem como as suas implicações para os ancestrais dos mamíferos.

Niassodon mfumukasi é o primeiro novo género (e espécie) de vertebrado fóssil de Moçambique e o seu holótipo (espécime tipo) é um raro exemplo de sinapsídeo basal, com o crânio e parte do resto do esqueleto preservados em conjunto.

Através dos dados digitais recolhidos, foi possível isolar individualmente todos os ossos presentes, tendo sido proposto um código de cores topológico, codificado matematicamente, para os ossos cranianos. Este código permitirá aos investigadores estandardizar de agora em diante as cores associadas a cada osso em animais semelhantes. Ao mesmo tempo o trabalho estabelece uma base comparativa das caraterísticas do cérebro e do ouvido interno dos sinapsídeos, pois apresenta uma descrição detalhada da neuroanatomia de um sinapsídeo basal (incluindo cérebro, ouvidos internos, nervos e vasculatura craniana).

O fóssil encontra-se temporariamente no Museu da Lourinhã, onde pode ser visto pelo público, estando o seu regresso a Moçambique planeado para o próximo ano, para incorporar as coleções do Museu Nacional de Geologia, em Maputo.

O trabalho de campo decorreu em Moçambique em 2009, com o apoio do Museu Nacional de Geologia daquele país. A limpeza e estudo decorreram nos laboratórios do Museu da Lourinhã e do Instituto Gulbenkian de Ciência (Oeiras), em colaboração com a Southern Methodist University (Dallas, USA), tendo a digitalização 3D sido realizada nas instalações do sincrotrão de Hamburgo (DESY-HZG).

Contactos:
Rui Castanhinha (+351) 918 836 929 – rcastanhinha@gmail.com
Ricardo Araújo (+1) 4698773006 – rmaraujo@smu.edu
Luís Costa Júnior (+258) 843999170 – lmcostajr@gmail.com

Título original do artigo:
Bringing dicynodonts back to life: paleobiology and anatomy of a new emydopoid genus from the Upper Permian of Mozambique

Tradução proposta:
Trazendo dicinodontes de volta à vida: paleobiologia e anatomia de um novo emidopóide do Pérmico Superior de Moçambique

Lista completa dos autores e afiliações, pela ordem que constam no artigo:
Rui Castanhinha1,2+, Ricardo Araújo2,3+, Luís C. Júnior4, Kenneth D. Angielczyk5, Gabriel G. Martins6, Rui M. S. Martins2,7,8,9, Claudine Chaouiya1, Felix Beckmann10 & Fabian Wilde10

  1. Instituto Gulbenkian de Ciência, Oeiras, Portugal.
  2. Museu da Lourinhã, Lourinhã, Portugal.
  3. Huffington Department of Earth Sciences, Southern Methodist University, Dallas, Texas, USA.
  4. Museu Nacional de Geologia, Maputo, Moçambique.
  5. Integrative Research Center, Field Museum of Natural History, Chicago, Illinois, USA.
  6. Centro de Biologia Ambiental, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal.
    Current address: Instituto Gulbenkian de Ciência, Oeiras, Portugal.
  7. Campus Tecnológico e Nuclear, Instituto Superior Técnico, Bobadela, Portugal.
  8. Centro de Investigação em Materiais, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, Caparica, Portugal.
  9. Centro de Física Nuclear da Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal.
  10. Helmholtz-Zentrum Geesthacht, Geesthacht, Deutschland.
+ These authors contributed equally to this work

O Projeto PalNiassa é apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, pela The National Geographic Society e pela TAP Portugal. Mais informação em: www.palniassa.org.


Legenda completa da ilustração em topo:
A ilustração representa uma fêmea da espécie Niassodon mfumukasi no seu ambiente natural no final do Pérmico (há 256 milhões de anos).

No âmbito da divulgação da presente notícia, fica autorizada a reprodução desta ilustração, sempre que seja feita referência aos direitos autorais: © Fernando Correia, dbio/UAveiro



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