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5 de Fevereiro de 2010

 

Nova espécie de tartaruga do tempo dos dinossauros
descoberta em Angola por paleontólogos portugueses
do Museu da Lourinhã

 

Chama-se Angolachelys mbaxi e é uma tartaruga fóssil com cerca de 90 milhões de anos, descoberta nas rochas cretácicas a norte de Luanda, em Angola.

O crânio fóssil de tartaruga marinha de grandes dimensões foi descoberto em Abril de 2005 pelo paleontólogo Octávio Mateus, da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã.

A descoberta deu-se durante uma expedição National Geographic com o paleontólogo norte-americano Louis Jacobs, da Southern Methodist University, autor do livro "Em busca dos dinossauros africanos".

No estudo deste fóssil participaram paleontólogos de Portugal, Estados Unidos, Angola e Holanda, e contou-se ainda com a colaboração da Universidade Agostinho Neto, de Angola. Miguel Telles Antunes, paleontólogo da Academia de Ciências de Lisboa, que integra a equipa, realça que este achado "é sobremaneira interessante, quer pela qualidade do material encontrado, quer por se tratar de um grupo muito mal conhecido na região. Com efeito, os escassos dados previamente disponíveis eram de tartarugas bastante mais modernas. O achado representa um grande passo em frente dos conhecimentos científicos".

O nome Angolachelys significa "tartaruga de Angola", tal como mbaxi que, em kimbundo, língua do noroeste de Angola, é a palavra para tartaruga.

O estudo, publicado numa revista científica da especialidade e liderado pela equipa portuguesa, reconhece a existência de um grupo distinto de tartarugas marinhas ao qual dá o nome de Angolachelonia. Este tipo de tartarugas evoluiu no Atlântico norte e a Angolachelys é o primeiro fóssil deste grupo descoberto no hemisfério sul, após a abertura do Atlântico sul, há 100 milhões de anos. Estes são os primeiros répteis que percorrem o Atlântico sul como um corredor de passagem. Um outro exemplo é o lagarto marinho Angolasaurus igualmente descoberto na mesma localidade, e descrito por Miguel Telles Antunes em 1964. Estes dados contribuem para a compreensão das migrações da fauna marinha com a abertura do Atlântico sul.

As tartarugas, tanto as fósseis como as actuais, dividem-se em dois grandes grupos que se distinguem pela forma como recolhem o pescoço: para dentro da carapaça (chamadas criptodiras) ou dobrando-o para o lado (pleurodiras). Actualmente existem em África numerosas espécies dos dois grupos, mas o mesmo não ocorria há 90 milhões de anos, sendo a Angolachelys a mais antiga tartaruga criptodira de todo o continente.


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