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11 de Julho de 2005

 

4º Mini-Simpósio de Paleontologia no Museu da Lourinhã: Mosassauros

 

Répteis marinhos da era dos dinossauros reúnem paleontólogos no Museu da Lourinhã

O Museu da Lourinhã organizou o 4º Mini-Simpósio de Paleontologia, dedicado aos Mosassauros, répteis marinhos do tempo dos dinossauros.

Este é o quarto Mini-Simpósio realizado com cientistas estrangeiros visitantes no Museu da Lourinhã, e desta feita contou com a participação dos paleontólogos Mike Polcyn da Universidade Metodista do Sul (Estados Unidos), Anne Schulp do Museu de Maastricht (Holanda) e  Octávio Mateus do Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa.

Os dois primeiros oradores são paleontólogos reconhecidos e especialistas em mosassauros, répteis marinhos que colonizaram os mares durante o tempo dos dinossauros.

O mote para este simpósio foi dado pela presença dos paleontólogos em Portugal e pela descoberta recente de novos vestígios de mosassauros em Angola pelo paleontólogo Octávio Mateus do Museu da Lourinhã.

Não é a primeira vez que estes paleontólogos se encontram em Portugal. Em Janeiro, tiveram a oportunidade de participar no 3º Mini-Simpósio de Paleontologia no Museu da Lourinhã, dessa feita sobre Vertebrados Fósseis Africanos, e que precedeu a viagem de Octávio Mateus e do norte-americano Louis Jacobs a Angola, em Maio passado. Juntamente com os paleontólogos da Universidade Nova de Lisboa, os convidados vão agora participar no estudo dos fósseis de mosassauros que foram recolhidos recentemente em Angola.

Mike Polcyn abordou a origem, evolução e a distribuição dos mosassauros. Completamente adaptados à vida marinha, os mosassauros foram répteis carnívoros que dominaram os mares há, pelo menos, 65 milhões de anos, enquanto os dinossauros dominavam a terra firme. Embora sejam semelhantes aos lagartos e às cobras, os mosassauros fazem lembrar uma mistura entre um lagarto, um crocodilo e um golfinho, embora não estejam relacionados com estes dois últimos.

Anne Schulp falou sobre os mosassauros de Maastricht, onde foi descoberto o primeiro mosassauro, sendo um fóssil de especial interesse histórico porque é considerado o primeiro fóssil reconhecido como tal, isto é, como sendo um antigo animal extinto em tempos passados. A posse deste exemplar histórico é hoje uma fonte de discórdia entre dois países, pois o fóssil é reclamado pela Holanda depois de ter sido levado para França durante as invasões napoleónicas, onde se encontra desde então.

O paleontólogo do Museu da Lourinhã contou a sua experiência em Angola, país que visitou recentemente e onde encontrou muitos vestígios de mosassauros e outros animais pré-históricos, tal como um braço de um dinossauro saurópode, o primeiro dinossauro alguma vez descoberto em Angola. Em Portugal não são conhecidos vestígios de mosassauros.

  Programa:

4º Mini-Simpósio de Paleontologia no Museu da Lourinhã: Mosassauros

11 Julho 2005; 17h30 na Sala de Paleontologia do Museu da Lourinhã 

 

Mike Polcyn

Early evolution and biogeography of mosasaurs

 

Anne Schulp

Mosasaurs from Maastricht, Monsters from the Late Cretaceous seas

 

Octávio Mateus

Mosassauros e outros fósseis de Angola

Entrada gratuita

 

SUMÁRIOS DAS PALESTRAS E PERFIS DOS ORADORES

 

EARLY EVOLUTION AND BIOGEOGRAPHY OF MOSASAURS

por Mike Polcyn

Mike Polcyn is Sr. Vice-President of Research and Development and Chief Technology Officer for Intervoice Inc., a Dallas based telecommunications company and Research Associate at Southern Methodist University. His current research interests include the early evolution of Mosasauroidea and adaptations in secondarily aquatic tetrapods. Research also includes application of technology to problems in paleontology


 

MOSASAURS FORM MAASTRICHT, MONSTERS FROM THE LATE CRETACEOUS SEAS

 por ANNE SCHULP

<> Drs. Anne S. Schulp (1974) is curator of vertebrate palaeontology at the Maastricht Natural History Museum, in Maastricht, The Netherlands. Apart from care for the vertebrate palaeontological collections, he is also involved in exhibition development and educational work at the museum.

Next to the museum duties, he is affiliated with the Faculty of Earth and Life Sciences of the Vrije Universiteit Amsterdam, where he is a guest researcher in the PhD-programme.

He is a regular contributor on the field of paleontology, geology, and natural sciences in general for popular scientific magazines and a nationwide daily newspaper in The Netherlands.

Anne Schulp's main field of interest is in mosasaurs. His research interests in marine

 

Summary:

New discoveries of mosasaur fossils from the Maastricht area (in the south of the Netherlands) yielded fascinating insights in the behaviour, diet, and diseases of these giant extinct marine reptiles. Why did the giant Prognathodon saturator have such strange jaws? And what's its relationship with North American mosasaurs? Ongoing research provided some preliminary answers to this and other questions. What, for example, did the mysterious mosasaur Carinodens eat? Experiments above the kitchen sink yielded some explanation - and a tasty gumbo.

How about cannibalism in the Maastricht seas? Many mosasaurs seem to have practised a rather rough lifestyle. Broken bones as well as massive abscesses abound in the fossil record, and tell us painful stories about the life of a mosasaur. Research with the Amsterdam Free University may tell us a bit more about the diet of mosasaurs and the climate of the Maastricht seas. But in order to acquire the data, a mosasaur tooth has to be sacrificed first.

This and more will be discussed during Anne Schulp's lecture. If time permits, the joys and benefits of a forked tongue will be discussed, and maybe there is some disappointing news from the Milan fashion district to be revealed, too.

Maastrichtian paleontology took him in the past few years to New Zealand, Mozambique, the USA, Croatia, the Sultanate of Oman, Jordan and Israel.

 

MOSASSAUROS E OUTROS FÓSSEIS DE ANGOLA

 
Por Octávio Mateus

O paleontólogo do Museu da Lourinhã, Octávio Mateus, encontra-se a terminar o doutoramento em paleontologia dos dinossauros do Jurássico Superior de Portugal pela Universidade Nova de Lisboa. Tem estudado os dinossauros da Lourinhã, e não só, com destaque para os ovos e embriões e para a descrição de novos géneros, tais como o Lourinhanosaurus, Draconyx, Dinheirosaurus, Tangvayosaurus e Lusotitan. Sob a orientação científica de Miguel Telles Antunes, Octávio tem coordenado as escavações de dinossauros na Lourinhã, de onde tem recolhido muitos novos exemplares. O seu interesse por dinossauros fizeram-no viajar pelos Estados Unidos, Brasil, Laos, Tunísia, Moçambique, Marrocos, África do Sul e Angola.


Sumário:

A orla costeira de Angola é rica do ponto de vista de fósseis de vertebrados mesozóicos e cenozóicos, embora muito trabalho esteja ainda por fazer. O paleontólogo Miguel Telles Antunes, da Universidade Nova de Lisboa, tem feito investigação sistemática e contínua sobre os vertebrados fósseis de Angola, com base nas recolhas realizadas durante os anos 60. Nos seus trabalhos reportou novos achados e descreveu novas espécies em que se destacam o mosassauro Angolasaurus bocagei, recolhido perto de Iembe, província de Bengo. Tubarões, plesiossauros, tartarugas e outros vertebrados foram identificados por Miguel Telles Antunes,

Desde a presença de Antunes nos anos 60, que não se procederam recolhas sistemáticas de vertebrados fósseis em Angola devido à guerra e instabilidade que assolou o país nas últimas décadas. Uma viagem realizada recentemente (Maio 2005), permitiu revisitar as localidades já apontadas por Miguel Telles Antunes e descobrir uma extraordinária elevada variedade e qualidade de fósseis de vertebrados, especialmente na província do Namibe e de Bengo. Foram recolhidos vestígios de mosassauros, plesiossauros, tubarões, peixes ósseos, tartarugas, amonites, e dinossauros. O vestígio de dinossauro é o primeiro que se encontra em Angola.



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