Nota de Imprensa:
Museu da Lourinhã anuncia
a primeira descoberta de um dinossauro em Angola
Instituições
científicas europeias, norte-americanas e angolanas estão a
associar-se para estudarem o rico património Paleontológico
de Angola
A prospecção de fósseis de mosassauros, dinossauros e outros
répteis, assim como de vários vertebrados do tempo dos
dinossauros, foram o objectivo de uma expedição de
reconhecimento que teve lugar no fim de Maio passado.
Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã e da
Universidade Nova de Lisboa participou nesta expedição de
reconhecimento na companhia do
norte-americano
Louis Jacobs da
Universidade
Metodista do Sul, do Texas.
Com esta viagem, estreitou-se cooperação científica
entre as várias instituições envolvidas, com
especial destaque para a Faculdade de Ciências da Universidade
Agostinho Neto, Museu de História Natural de Angola,
Instituto Superior Privado de Angola e Instituto Geológico
de Angola.
Desde o
início da guerra civil que nenhum paleontólogo teve
oportunidade de trabalhar no campo da pesquisa de vertebrados fósseis,
sendo que os
trabalhos mais importantes neste domínio foram conduzidos
durante os anos 60 por
Miguel Telles Antunes, da
Universidade Nova de Lisboa, que estudou aquela área em detalhe e
desde aí tem publicado continuado estudo científico sobre os
vertebrados fósseis de Angola. Miguel Telles Antunes
é actualmente professor e orientador de
Octávio Mateus, o qual em breve apresentará o
seu Doutoramento naquela Universidade.

Escavação de crânio de
mosassauro no sul de Angola.
O
reconhecimento e recolha de fósseis no terreno superou
largamente as mais ousadas expectativas, pois no decorrer
desta expedição o
paleontólogo português Octávio Mateus descobriu inúmeros
e variados fósseis dando-se principal destaque para o primeiro dinossauro de Angola,
tratou-se neste caso, de parte do braço de um dinossauro saurópode
do Cretácico Superior. Este achado foi depositado no
Museu de Geologia da Universidade Agostinho Neto em
Luanda, estando no entanto a maioria do esqueleto ainda no terreno
a aguardar uma escavação que será conduzida pelo Museu da
Lourinhã.

Crânio quase completo de
mosassauro, actualmente em estudo no Museu da
Lourinhã
As recolhas no terreno foram realizadas no deserto da
província do Namibe, no sul de Angola, e nas arribas
costeiras da província de Bengo. O saber e a experiência obtida em
Portugal, nomeadamente na Lourinhã, foram determinantes para
o sucesso desta expedição. Além do primeiro dinossauro angolano, o Museu da
Lourinhã descobriu ainda crânios de mosassauros,
plesiossauros (répteis marinhos do tempo dos dinossauros),
tartarugas e peixes fósseis com cerca de 65 milhões de anos.
O espólio recolhido que não foi depositado no Museu
Angolano, está agora no
Museu da Lourinhã, onde será preparado e estudado sendo
de seguida objecto de uma exposição temporária neste
museu antes de regressar definitivamente a Angola
em 2006.

Reconstituição em vida de um mosassauro.
Será preparada uma expedição em 2006, com mais recursos
e uma equipa maior, uma vez que este vasto país já provou
ser prolifero em vestígios fósseis, alguns deles bem emblemáticos como os
do
Angolasaurus : um mosassauro, réptil predador que
patrulhava as aguas Angolanas há
cerca de 65 milhões de anos. A futura equipa espera encontrar mais
vestígios deste e de outros animais de forma a aumentar
significativamente o
conhecimento sobre o passado de Angola em particular e de África
de um modo geral.